Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive nos espaços de decisão

Reprodução CUT-RS
Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive nos espaços de decisão

Neste 8 de março reafirmamos que celebrar a trajetória das mulheres é também assumir, com coragem, os desafios que ainda nos atravessam. No Rio Grande do Sul, a violência contra a mulher se intensifica e o feminicídio segue sendo uma realidade cruel, que precisa ser enfrentada com políticas públicas eficazes e compromisso permanente. Mas não queremos apenas denunciar. Queremos avançar.

Queremos estar à frente das mesas de negociação, participando dos acordos coletivos, das Convenções Coletivas de Trabalho e ocupando os espaços de liderança. Sabemos que o nosso trabalho, muitas vezes silenciado, ainda é invisibilizado. É hora de romper essa barreira. Não há contradição entre sermos mães, trabalhadoras e lideranças. As mulheres têm capacidade, têm visão estratégica e têm força. Quando ocupamos esses espaços, transformamos não apenas o chão de fábrica, mas a própria estrutura da sociedade.

Avançamos, sim. Mas ainda temos muito a conquistar: igualdade salarial, respeito, condições dignas de trabalho e políticas públicas que garantam suporte real às trabalhadoras — como creches noturnas e educação em turno integral para nossos filhos e filhas, assegurando proteção, cuidado e tranquilidade para quem trabalha.

E nesse debate, precisamos trazer com firmeza a discussão sobre a escala 6x1. Essa jornada exaustiva impacta diretamente a vida da classe trabalhadora. Não se trata apenas de carga horária — trata-se de saúde física e mental, de convivência familiar, de qualidade de vida. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras não têm tempo sequer para buscar atendimento médico, acompanhar o desenvolvimento dos filhos ou descansar adequadamente. A exaustão virou regra.

Defender a revisão da escala 6x1 é defender dignidade. É defender que as pessoas tenham mais tempo com suas famílias, que possam viver além do trabalho. Essa pauta precisa sair do silêncio e ganhar espaço no centro do debate público. Precisa ser discutida nas câmaras de deputados e senadores, analisada com responsabilidade e ajustada dentro da tramitação das leis, para que avance como política concreta de valorização da classe trabalhadora.

Nós não queremos conflito. Queremos ser vistas. Queremos ser ouvidas. Queremos respeito.

Quando as mulheres lideram, a pauta da vida real ganha força. A pauta do cuidado, do equilíbrio, da justiça social se impõe. E é assim que transformamos o chão de fábrica, as negociações coletivas e a própria sociedade.

Neste 8 de março, reafirmamos: lugar de mulher é onde ela quiser — inclusive nos espaços de decisão. Porque quando nós avançamos, toda a classe trabalhadora avança junto. 

 

Eliane Morfan, vice-presidente da FTM-RS

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