Agenda em Rio Grande (RS) visa acelerar retomada do segmento naval
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e a Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS (FTM-RS) participaram, na segunda-feira (17), de uma série de reuniões estratégicas na cidade do Rio Grande (RS), com o objetivo de fortalecer a unidade das representações locais e acompanhar de perto a retomada do setor naval, demanda histórica dos trabalhadores e, fundamental, para o desenvolvimento regional e nacional.
A agenda reuniu a CNM/CUT, a Federação, sindicatos locais, a prefeita do município, o presidente da Câmara de Vereadores e representantes da empresa responsável pela execução dos novos contratos da indústria naval. A proposta central foi estabelecer um espaço permanente e unificado de articulação, capaz de acompanhar todas as etapas da reconstrução do setor.
Segundo o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, o encontro com a prefeita logo pela manhã cumpriu papel decisivo para consolidar esse compromisso conjunto.
“Foi muito importante essa agenda em Rio Grande. É uma agenda estratégica de unificar as representações do município a partir da frente parlamentar. A reunião com a prefeita foi fundamental para a construção do primeiro compromisso: termos um grupo, uma comissão ou um fórum que acompanhe a evolução da retomada do setor naval na cidade.”
Loricardo destacou que esse fórum deve envolver governo municipal, trabalhadores, sindicato, a Federação Metalúrgica do RS e a empresa, garantindo um acompanhamento contínuo desde as contratações, passando pela formação profissional, pela tecnologia empregada, até a infraestrutura da cidade.
Ele também ressaltou que a CNM/CUT cobrou da empresa compromissos concretos com a recontratação de trabalhadores demitidos, inclusive daqueles que tiveram de recorrer à Justiça para receber direitos não pagos após o colapso do setor naval anos atrás.
“Não é possível esperar mais tempo. Os contratos firmados em março têm execução prevista para dois anos, então a retomada precisa ser acelerada. Também conversamos com o presidente da Câmara para levar à sociedade as informações verdadeiras produzidas por esse grupo que estamos propondo.”
Para Loricardo, colocar trabalhadores, governo municipal, Câmara e empresa na mesma mesa é um passo histórico:
“A CNM está muito contente pelo papel que cumpre aqui: pensar o futuro da reconstrução naval no Brasil com conteúdo nacional, democracia, trabalho decente, direitos e representação sindical.”
Federação reforça importância de política de Estado para o Polo Naval
O presidente da FTM-RS, Lírio Segalla, destacou a relevância da agenda e o alinhamento das entidades na construção de uma estratégia sólida e permanente para o Polo Naval.
Numa agenda bastante extensa, junto com a nossa Confederação Nacional dos Metalúrgicos e a Frente Parlamentar em Defesa do Polo Naval, representada pelo deputado federal Alexandre Lindemeyer, e com companheiros dos sindicatos metalúrgicos de Rio Grande, teve reunião com a prefeitura e com os empresários do estaleiro, discutindo a retomada do Polo Naval dentro de uma estratégia nacional de desenvolvimento e reindustrialização do país.
“O Polo Naval era um setor bastante pujante e foi destruído logo depois do golpe contra a presidenta Dilma. Estamos fazendo um debate intenso para que a retomada seja uma política de Estado, e não apenas de governo, evitando que seja desmontada novamente. Saímos daqui com o encaminhamento de construir um fórum permanente de discussão, porque precisamos revitalizar o setor e desenvolver a indústria como um todo. Foi uma reunião intensa, produtiva e com resultados satisfatórios”, ressaltou o presidente da federação.
Unidade das representações locais e defesa da classe trabalhadora
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e Siderúrgicos de São José do Norte, Benito Gonçalves, reforçou a importância da convergência entre as entidades e elogiou a postura da CNM/CUT em atuar de forma integrada e transparente com as representações locais.
“A presença da CNM, junto com a federação, o nosso sindicato e a prefeitura, foi muito importante. Foi um movimento de unificação de esforços, de informações e de anseios, para que todos estejam a par do que está acontecendo e para que haja uma fala só em defesa da classe trabalhadora.”
Benito destacou que, independentemente das estruturas formais — CNM, federação ou sindicatos — existe uma identidade comum:
“Quando falamos de metalurgia, falamos de trabalhadores. Tudo que é benéfico para a classe trabalhadora nos deixa muito contentes. As opiniões podem ser diferentes, mas o resultado buscado é o mesmo: qualidade de vida, desenvolvimento para o país, para o estado e para os municípios. Saí hoje muito feliz com esse debate.”
Rumo à reconstrução do setor naval com emprego, direitos e desenvolvimento
A Confederação seguirá atuando em Brasília e em todos os territórios para garantir que a retomada se dê com:
- conteúdo nacional;
- valorização do trabalho;
- recontratação dos trabalhadores demitidos;
- formação profissional;
- diálogo permanente com as representações;
- respeito aos direitos e ao trabalho decente.
“A retomada do setor naval não é apenas um projeto econômico: é um projeto de reconstrução nacional, que passa necessariamente pela valorização da classe trabalhadora e por políticas públicas que promovam desenvolvimento sustentável, soberania industrial e justiça social”, finaliza Loricardo.
Fonte: CNM/CUT